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Direito Bancário

13º salário ou parcela do banco: o que a empresa endividada deve pagar primeiro

13º salário ou parcela do banco? Veja o que acontece em cada atraso e como a empresa endividada pode renegociar antes para preservar o caixa.

01 de novembro de 2026 · 4 min de leitura · Rossetti Pfeifer Advogados

PorDra. Cláudia Rossetti Pfeifer· Sócia fundadora
13º salário ou parcela do banco: o que a empresa endividada deve pagar primeiro

Resposta direta

Em novembro, muita empresa endividada precisa decidir entre o 13º salário ou a parcela do banco. A primeira parcela do 13º vence em 30 de novembro e a segunda em 20 de dezembro, e o atraso gera multas trabalhistas e risco de ações. Já o atraso no banco pode antecipar o vencimento do contrato, executar garantias e levar ao bloqueio de contas. A decisão mais segura não é escolher um credor no susto: é prever o caixa de dezembro agora e renegociar a dívida bancária antes do atraso, com carência ou alongamento, para pagar a folha sem perder o controle dos contratos.

Novembro é o mês em que muitos empresários fazem a conta do 13º salário e percebem que o caixa não fecha. Com juros altos e crédito mais caro, a tentação é atrasar a parcela do banco para pagar a folha, ou o contrário.

As duas escolhas feitas no improviso têm custo. O caminho mais seguro começa por entender o que cada atraso provoca e por agir antes do vencimento.

Quando vence o 13º salário e o que acontece se atrasar?

A primeira parcela do 13º deve ser paga até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro (Lei 4.749/1965, arts. 1º e 2º). O atraso pode gerar autuação pela fiscalização do trabalho, multas, desgaste com a equipe e ações trabalhistas, além de afetar a regularidade da empresa.

O que acontece se a empresa atrasar a parcela do banco?

Contratos bancários costumam prever que o atraso de uma parcela permite ao banco antecipar o vencimento de toda a dívida. A partir daí, podem ocorrer:

  • Negativação e restrição de novos créditos.
  • Execução de garantias: trava de recebíveis, alienação fiduciária e aval dos sócios.
  • Execução judicial, com risco de bloqueio de contas (CPC, art. 854) que pode atingir justamente o dinheiro reservado para a folha.
  • Vencimento cruzado: cláusulas que fazem o atraso em um contrato contaminar outros contratos com o mesmo banco.

13º salário ou parcela do banco: como pagar a folha sem perder o controle da dívida?

A resposta está em antecipar a decisão. Em vez de escolher um credor em 30 de novembro, a empresa organiza o caixa de dezembro agora:

  • Projetar o caixa de novembro a janeiro, com folha, 13º, impostos e parcelas.
  • Mapear os contratos com vencimento antecipado, vencimento cruzado e garantias.
  • Renegociar antes do atraso: pedir carência, alongamento ou readequação da parcela enquanto a empresa ainda está em dia, quando o poder de negociação é maior.
  • Revisar o contrato bancário antes de assinar qualquer aditivo, para não trocar um problema de dezembro por uma confissão de dívida mais cara.
  • Separar o que é tributário: débitos com a Receita e a PGFN podem ser organizados por transação tributária, aliviando o caixa do fim do ano.

Como conversar com o banco antes do atraso?

A conversa com o gerente rende mais quando a empresa chega com números, e não com urgência. Antes da reunião, vale reunir o fluxo de caixa projetado até janeiro, a relação de contratos com saldo, taxa e vencimento e uma proposta concreta, como dois ou três meses de carência ou a readequação temporária da parcela.

Também é importante pedir por escrito as condições oferecidas, com o custo efetivo total, as garantias exigidas e o novo cronograma. Muitas propostas de renegociação trazem garantias adicionais, como aval dos sócios ou cessão de recebíveis, que podem pesar mais do que o alívio da parcela.

Quando a empresa tem dívidas em diferentes instituições financeiras, a negociação precisa ser coordenada, para que o acordo com um banco não comprometa o pagamento dos outros nem a folha de pagamento.

Um exemplo ilustrativo

Uma empresa com folha de R$ 120 mil precisa de cerca de R$ 60 mil para a primeira parcela do 13º e outros R$ 60 mil em dezembro. Ela paga R$ 45 mil por mês em parcelas de capital de giro. Se atrasar o banco em dezembro, pode sofrer a antecipação de um contrato de R$ 900 mil e a trava dos recebíveis. Se negociar em novembro uma carência de dois meses, preserva o fluxo de caixa e mantém os contratos em dia. O resultado depende do contrato e da aceitação do banco.

Checklist para novembro

  • Calcular o 13º de cada funcionário e as datas de pagamento.
  • Projetar o caixa até janeiro.
  • Ler as cláusulas de vencimento antecipado e de garantias.
  • Procurar o banco antes do atraso, com proposta baseada em números.
  • Avaliar a transação tributária para aliviar o caixa.
  • Não assinar aditivos sem revisar o contrato.

Conclusão

Entre o 13º e o banco, a pior decisão é a tomada no último dia. Quando a empresa antecipa a conta, revisa os contratos e renegocia os débitos com os bancos antes do atraso, consegue honrar a folha e preservar a continuidade das operações. Dívida se administra como sistema, não contrato por contrato.

Conteúdo de caráter informativo. A análise de cada caso depende da documentação e das circunstâncias da empresa. Veja também a revisão de contratos bancários, o artigo sobre bloqueio de conta e penhora e a gestão de passivos. O Rossetti Pfeifer Advogados atende empresas em Campinas, Sumaré, Paulínia e região, e online em todo o Brasil, com atuação conjunta nas áreas bancária e tributária.

Referências jurídicas citadas

  • Lei 4.749/1965, arts. 1º e 2º (prazos de pagamento do 13º salário)
  • Código de Processo Civil, art. 854 (bloqueio de ativos financeiros)
  • Lei 10.931/2004 (cédula de crédito bancário)
  • Lei 13.988/2020 (transação tributária)
Guia completoDívida bancária empresarialFases da cobrança, prazos da lei e caminhos para a empresa e o sócio avalista.

Conteúdo de caráter meramente informativo, sem oferta de serviços ou promessa de resultado, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB.

Perguntas frequentes sobre este tema

Quando vence a primeira parcela do 13º salário?

Até 30 de novembro. A segunda parcela vence até 20 de dezembro.

O banco pode cobrar a dívida inteira se eu atrasar uma parcela?

Muitos contratos preveem o vencimento antecipado em caso de atraso. É preciso ler a cláusula do contrato para saber o que se aplica.

Vale a pena pedir carência ao banco antes de atrasar?

Em geral, sim. A negociação feita com a empresa em dia costuma ter mais margem do que a feita depois da inadimplência, mas depende do banco e do contrato.

Posso usar a transação tributária para aliviar o caixa do fim do ano?

Pode ser uma alternativa. A transação na PGFN, aberta até 29 de janeiro de 2027, permite parcelar débitos inscritos em dívida ativa conforme a capacidade de pagamento.

É possível renegociar com vários bancos ao mesmo tempo?

Sim. Quando a empresa tem dívidas em diferentes instituições financeiras, uma estratégia única de renegociação evita que o acordo com um banco comprometa os outros.

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